São Paulo oferece reforço escolar a 6% dos alunos


O governo de São Paulo oferece algum tipo de reforço escolar para 286.568 alunos dos ensinos fundamental e médio, o que equivale a 6% da rede.
Reservar 10% do PIB para ensino é irreal, diz redatora do plano de 2001.

O reforço é necessário para apoiar o estudante em dificuldade, ajudá-lo a superar a defasagem de conteúdo e deixá-lo em condições de certa igualdade com os demais.
É uma ferramenta importante no sistema educacional paulista, no qual a reprovação no ensino fundamental ocorre apenas na 5ª e na 9ª séries -no ensino médio, ela pode acontecer nos três anos.
O contingente que recebe apoio especial, porém, é inferior ao percentual de alunos que apresentaram alguma deficiência no Saresp, o sistema de avaliação da qualidade da educação pública paulista.
Em 2011, ao menos 410 mil alunos das séries avaliadas pela prova (3ª, 5ª, 7ª e 9ª do ensino fundamental e 3ª do ensino médio) tiveram na disciplina de português um desempenho "abaixo do básico", o mais baixo na escala.
Na 9ª série do ensino fundamental, por exemplo, 28% dos alunos ficaram com a pior avaliação. Para o próprio Estado, o desempenho desses estudantes é "insuficiente".
Para o professor Eduardo Andrade, do Insper, a aferição de desempenho dos estudantes pelo Saresp é um bom parâmetro para tentar identificar a necessidade de reforço escolar na rede.

"Alunos considerados fracos ou defasados precisam de algum tipo de acompanhamento especial", afirmou.

contraturno

Neste ano, o governo anunciou -e recuou- a extinção do chamado contraturno, no qual o aluno recebe aulas de reforço em período diferente daquele em que estuda. À época, afirmou que o reforço seria dado pelos professores em aulas regulares, prática contestada por especialistas.
Dados da Secretaria da Educação mostram que hoje 2.300 alunos estão tendo aulas de recuperação nessa modalidade de reforço escolar.
A grande maioria dos alunos beneficiados -248 mil- tem o apoio de professores auxiliares em sala regular. São 9.951 docentes em 2.486 escolas (o Estado tem 5.591).
Integram ainda a conta do Estado mais 36.268 alunos em 1.961 classes de recuperação intensiva, em 1.202 escolas.
Esse tipo de reforço prevê classes com até 20 estudantes em quatro etapas do ensino fundamental e envolve estratégias pedagógicas diferenciadas e específicas, de acordo com as dificuldades de aprendizagem detectadas.
Sobre o contraturno, a secretaria afirma que sua implantação depende de a direção da escola apontar a necessidade e assegurar espaço físico adequado e condições de mobilidade dos alunos, entre outros.



OUTRO LADO
A Secretaria da Educação disse, em nota, que o uso da avaliação do Saresp é "simplista", pois diz "respeito a uma situação passada de aprendizado" e que o número de alunos que precisam de recuperação oscila durante o ano.
"A avaliação individual do aluno, que define a necessidade e a forma de recuperação mais adequada, é feita de forma regular pelos docentes em sala de aula e pelas equipes pedagógicas (...) durante o ano".
A pasta implantou neste ano a Avaliação da Aprendizagem em Processo para "diagnosticar eventuais dificuldades de aprendizado e agir pontualmente para resolvê-las". Dois milhões de alunos foram avaliados no início do ano.
O Saresp, diz a nota, visa examinar a rede como um todo e nortear políticas educacionais, como "o aprimoramento de modalidades de recuperação".
"Os resultados do Saresp (...) estão entre os fatores levados em consideração para ampliação das possibilidades de apoio escolar, como a criação da recuperação intensiva e a adoção da figura de professor auxiliar, cuja implantação está em fase inicial".

FÁBIO TAKAHASHI

JOSÉ BENEDITO DA SILVA
DE SÃO PAULO




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